Estamos caminhando para o protecionismo?

A globalização é um movimento que integra economias, sociedades e culturas pertencentes à diferentes nações. No início dos anos 2000, ela foi impulsionada graças à facilidade de comunicação e possibilidades de transporte. O antônimo de global é ser segmentável, específico e particular, e talvez seja este o cenário para os próximos anos. 

Muitos economistas afirmam que o mundo pode estar caminhando para o protecionismo, isto porque países dependentes de importação se viram prejudicados pelo Coronavírus em sua cadeia de suprimentos.

O Brasil pôde perceber isso diversas vezes desde o início da pandemia. Já em fevereiro muitas indústrias se viram obrigadas a pausar sua operação em razão da falta de peças importadas necessárias à conclusão de seus produtos. Conforme o vírus foi se espalhando, o Brasil foi novamente sentindo seus reflexos. Quando a situação agravada atingiu a saúde pública, o país tentou importar respiradores chineses, sem sucesso, uma vez os produtos nunca chegaram no país – gerando diversas especulações e o sentimento de que quando se trata de calamidade é “cada país por si”. O Brasil resolveu então produzir seus próprios respiradores, mas se viu novamente dependente de peças importadas, desta vez da Suíça.  

Com certeza situações como estas e muitas outras retratadas nos jornais brasileiros nas últimas semanas também vêm acontecendo, em diferentes nações do mundo, porém países com maior poder econômico, e que por ventura dependam,de insumos importados, têm maior poder de barganha para negociar melhores condições de pagamento com as nações das quais pretendam importa-los.

Outros exemplos: a Índia restringiu a exportação de medicamentos, Europa e Estados Unidos não exportam respiradores, a França proibiu a exportação de máscaras, o Japão está oferecendo capital para empresas japonesas deixarem a China e se instalarem em outro local. O Brasil não fica de fora, as exportações de produtos que combatem a COVID-19 devem ser autorizadas pela ANVISA, passando pela análise do Diretor-Presidente deste órgão anuente.

Segundo análise da COFACE de anos anteriores (especificamente 2018 e 2019), é possível observar que houve um aumento de 40% nas medidas protecionistas em todo o mundo, sendo mais da metade delas ocorridas apenas na China e Estados Unidos, por meio desde a implementação de taxas de importação até subsídios para a produção nacional.  

É muito importante a diversificação de mercado e o investimento em indústrias nacionais, inclusive para a saúde das operações de compra e venda internacional, pois são as diferenças entre os países que os tornam dependentes entre si para troca de bens e serviços de maneira constante.

Mesmo tudo indicando a escolha pelo protecionismo, há um limite até onde se pode ir considerando tratar-se de uma sociedade globalizada, de modo que importa lembrar aqui o significado de comércio internacional: a troca de bens e serviços entre países que buscam complementar suas necessidades.

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Artigo escrito por Kauana Benthien A. Pacheco

Kauana tem seis anos de experiência no comex, é formada em Negócios Internacionais e cursa pós graduação em Big Data & Market Intelligence. É fundadora da página de conteúdo sobre Comércio Exterior, ComexLand, onde escreve sobre Economia Global e Comércio Internacional.

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