Desde o início do ano, o dólar já registrou queda de aproximadamente 15% em relação ao real, atingindo o menor valor em quase dois anos. No entanto, especialistas não acreditam que essa queda vá permanecer pelos próximos meses, principalmente por estarmos em ano de eleição, e nas vésperas dessa data, a economia costuma enfraquecer devido às incertezas do mercado. 

A flutuação do câmbio funciona de acordo com a lei da oferta e da demanda, ou seja, se há muito dólar no mercado brasileiro, seu preço cai, ou seja, o real se valoriza, mas quando os investidores retiram dinheiro do país, o dólar torna-se escasso, ficando “mais caro”. O cenário de guerra na Rússia e na Ucrânia assustou os investidores internacionais, mas acabou trazendo mais dólares para o Brasil, indo contra às expectativas do mercado, pois a nossa bolsa é muito concentrada em bancos e commodities, características muito procuradas em momentos de crise devido à estabilidade maior que eles asseguram. 

Confira o gráfico da evolução da taxa de câmbio no Brasil de janeiro de 2021 até março de 2022: 

Fonte: Investing/Divulgado pela CNN Brasil. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/business/entenda-por-que-o-dolar-esta-caindo-e-ate-onde-pode-ir/ 

Em 2022, a moeda brasileira (BRL) foi a que mais se valorizou no mercado internacional, seguida de outros países referência na exportação de commodities, como Chile e África do Sul. É interessante também pontuarmos que as commodities vêm ganhando cada vez mais espaço na nossa pauta de exportação e já correspondem a mais de 50% de tudo que embarcamos, principalmente o minério de ferro, grãos de soja e óleos brutos de petróleo. 

Taxa básica de juros, dólar e inflação 

Em 2020, a taxa de juros básica da economia brasileira, a Selic, registrou o menor valor da história, alcançando 2%, mas com o passar dos meses, a retomada econômica e o aumento da inflação, o Banco Central voltou a elevar os juros para equilibrar a economia. Na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM), a decisão foi em elevar a Selic para 11,75%, valor que vem sendo aumentado gradualmente. 

Atualmente, o Brasil possui a segunda maior taxa de juros do mundo, ficando atrás da Rússia, somente, em seguida, vem a Colômbia, Chile, México, Turquia e Hungria. Com os juros neste patamar, a tendência é atrair moeda estrangeira para o Brasil, ou seja, estimulando assim a “queda do dólar” e o controle da inflação, que vem assustando a população, principalmente pela alta dos preços de diversos alimentos e dos combustíveis. 

O mercado financeiro projeta uma taxa Selic de até 13% até o final deste ano, e o dólar, que nesta última semana de março está cotado por volta de R$4,75, pode voltar a subir atingindo R$5,25 até o final de 2022. Fiquemos de olho para que possamos aproveitar as melhores oportunidades de acordo com cada cenário! 

Iara é graduada em Relações Internacionais e Comércio Exterior é produtora de conteúdo da página ComexLand, possui experiência de mercado na área comercial, de logística e importação. 

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