O Brasil é um dos principais exportadores de commodities do mundo, com uma altíssima participação no setor agrícola, com destaque para os grãos (café, soja, milho), algodão, cana-de-açúcar e as carnes. Produtos da indústria extrativa como os minérios de ferro e de cobre também agregam bastante à nossa pauta exportadora, sendo a China o principal destino da grande maioria destes embarques.

A balança comercial brasileira vem acumulando superávits devido a boa performance das nossas exportações, que superam as importações na maioria dos meses, até o final deste ano, inclusive, o superávit brasileiro deve registrar o maior valor da história. No entanto, há um debate sobre a importância da exportação de bens industrializados, que o Brasil acaba deixando a desejar, visto que a desindustrialização traz impactos muito negativos para a economia como a falta de inovação, pesquisa e até mesmo empregos. Assim, o risco do Brasil virar uma “grande fazenda” que só produz produtos agropecuários gera preocupações para diversos setores que poderiam estar sendo desenvolvidos tecnologicamente.

Em uma análise recente feita pelo Indicador de Comércio Exterior (Icomex) em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), foi divulgado que entre os meses de janeiro e setembro deste ano, 70% das nossas exportações foram de matérias-primas, valor que vem crescendo no comparativo dos últimos anos.

Há vinte anos, as matérias-primas correspondiam a menos de 40% do total exportado, e produtos industrializados como automóveis, máquinas e aviões tinham uma participação maior nas nossas exportações. No entanto, no último ano, algumas mudanças no cenário internacional trazidas pela pandemia fizeram com que a demanda mundial por commodities aumentasse exponencialmente, consequentemente, o preço também foi às alturas e países como o Brasil aproveitaram desse “boom” para zerar os estoques e trazer cada vez mais dólares internamente.

Nos gráficos abaixo, percebe-se claramente como as exportações de commodities vêm aumentando significativamente nas últimas duas décadas, enquanto os embarques de bens industrializados, que deveriam aumentar fomentados pelo avanço tecnológico e industrial, vem registrando queda nos últimos anos.

Segundo especialistas, a tendência é que o país continue a exportar matérias-primas cada vez menos processadas e com baixo valor agregado, fazendo com que os ganhos sejam compensados no alto volume exportado.

Iara é graduada em Relações Internacionais e Comércio Exterior. Produtora de conteúdo na página ComexLand com experiência de mercado na área comercial, de logística e importação.

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