Como a crise na Evergrande está impactando todo o mundo?

Uma das principais notícias que mais impactou o mercado financeiro global nesses últimos dias, foi a crise na Evergrande e como a possível “quebradeira” na empresa pode impactar o Brasil e o mundo.

Foram divulgados os débitos em aberto da empresa que já acumulam em torno de US$300 bilhões, o que causou um grande susto em todo o mundo devido a sua atuação em escala global. A empresa possui capital aberto na bolsa de Hong Kong e já perdeu quase 85% do seu valor de mercado.

Além disso, bancos e instituições financeiras da China também já temem um grande calote, visto o alto volume de empréstimos tomados pela Evergrande para o financiamento dos projetos, tais prejuízos podem acarretar a paralisação de atividades em todo o mundo, principalmente nos parceiros comerciais que possuem um alto volume de negócios com a China.

Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB chinês nesse ano teria alta de 8,1%, mas com a crise da Evergrande, tudo pode mudar.

O que é a Evergrande?

A Evergrande foi fundada em 1996 e está entre as maiores companhias do mundo em receita na lista “Global 500”. Apesar do carro chefe da companhia ser o segmento imobiliário, atualmente, além de assinar projetos de construção em centenas de cidades, ela possui uma subsidiária no mercado de veículos elétricos, uma empresa de mídia, um parque de diversões e até mesmo um time de futebol com seu nome.

Estima-se que a empresa tenha cerca de 1,5 milhão de imóveis em construção, que podem nunca ser entregues.

Construção civil

A construção civil responde por cerca de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês, percentual que atinge quase 25% se incluirmos os fornecedores e indiretos do setor. As expectativas estavam altas para esse ano, pois a retomada da grande parte das indústrias e a reabertura dos mercados acelerou toda a economia mundial, inclusive o setor da construção civil, que após uma grave crise vinha se recuperando e gerando diversos empregos tanto na China como em diversos outros países. No entanto, a atual ameaça e o grande risco de falência já acenderam um alerta para uma possível desaceleração desse ramo.

A construção civil é um importante consumidor de commodities pois demanda diversos tipos de minérios e outros materiais que possuem cotação internacional. Por serem produtos cujo o Brasil é um grande exportador, há o risco do desequilíbrio entre a oferta e a demanda por esses itens, que irá gerar uma queda generalizada nos preços, impactando a balança comercial dos exportadores que vem se beneficiando do bom momento das commodities.

Para cobrir os prejuízos, a empresa terá que liquidar boa parte dos seus ativos (terrenos, casas em construção, casas que estavam à venda e até mesmo seu estádio de futebol), pressionando uma desvalorização no setor que acarreta uma série de danos. Primeiramente, o preço dos imóveis cai, as garantias dadas por hipotecas perdem o valor e os bancos retém a concessão de créditos.

Artigo escrito por : Iara Neme

Graduanda em Relações Internacionais e Comércio Exterior é produtora de conteúdo da página ComexLand, possui experiência de mercado na área comercial, de logística e importação.

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