INFLAÇÃO E O PREÇO DA GASOLINA

Um dos assuntos mais comentados nas últimas semanas é a inflação que está atingindo diretamente diversos setores da economia e impactando a vida dos brasileiros que encontram dificuldades para adquirir até mesmo produtos básicos de alimentação por estarem cada vez mais caros.

Hoje nós vamos analisar a questão da gasolina, que tem sido alvo de polêmicas devido a sua alta de mais de 50% nesse ano. Segundo uma pesquisa divulgada nesse mês de agosto pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o litro do combustível já atingiu o valor de R$7 em quatro estados brasileiros: Acre, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Tocantins valor muito acima do praticado nos meses anteriores.

Mas, afinal, de quem é a culpa?

Acompanhando esse caos, diversos culpados pelo preço elevado da gasolina já foram apontados, dentre eles o governo federal, por não conseguir controlar a inflação, os governos estaduais, devido ao ICMS que encarece o combustível, o dólar que está valorizado frente ao real tornando todas as importações mais caras e o preço internacional do petróleo, que impacta diretamente na formação do preço final da gasolina que consumimos.

É fato que o petróleo teve uma enorme alta nos últimos meses, enquanto em 2020 a média registrada do preço do barril era de US$41, esse ano já beira os US$70 e como a Petrobras atua com o Preço de Paridade de Importação (PPI), tudo que acontece internacionalmente é refletido na economia nacional.

Além disso, outros fatores que compõe o preço final tanto da gasolina como do diesel também reforçam a inflação sobre os combustíveis, é o caso dos impostos. No âmbito federal, o preço dos combustíveis é incrementado com a incidência do CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico), PIS/Pasep, e o Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), que faz parte de 11,6% do preço, enquanto o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), cobrado pelos governos estaduais, corresponde a 27,8% do preço final do produto contribuindo também para a inflação.

O que está sendo feito para baratear o preço dos combustíveis?

Com tanta pressão popular e de alguns setores como os caminhoneiros, o Governo já anunciou algumas medidas que poderão ser tomadas para conter essa inflação. Há a possibilidade de zerar a cobrança de Pis/Cofins sobre o diesel em 2022, o que ajudará bastante os caminhoneiros, porém, essa decisão custará cerca de R$15 bilhões aos cofres públicos. No entanto, a retirada desse imposto não é vista por todos com bons olhos, para alguns especialistas, seria inviável conseguir novas fontes de arrecadação para suprir essa perda que seria maléfica (macroeconomicamente dizendo) para a saúde econômica do país.

Outra forma encontrada para reduzir o valor dos combustíveis foi através de uma medida provisória lançada com o intuito de permitir a venda direta de etanol entre fabricantes e os postos de gasolina, eliminando a necessidade de distribuidoras e flexibilizando também a fidelidade à bandeira do posto, dando a liberdade aos postos de buscarem novos fornecedores.

E no Comércio Exterior?

Em uma pesquisa divulgada no ano passado, o Brasil se encontrava na 8ª colocação do ranking dos principais produtores de petróleo do mundo, com 4% de participação mundial. O top 7 era composto pelos EUA, Arábia Saudita, Rússia, Canadá, China, Iraque e Emirados Árabes Unidos.

Apesar da alta produção de petróleo, cerca de 3 milhões de barris diários, o Brasil importa cerca de 170 mil barris de derivados do petróleo todos os dias. Essa necessidade está relacionada ao fato que o petróleo brasileiro é difícil de refinar e acabamos buscando soluções internacionais para a mistura de derivados de petróleo. Os Estados Unidos são a principal origem do petróleo que vem para o Brasil, seguido da Holanda, Bélgica e Reino Unido e a gasolina que exportamos também vai, em grande parte, para os EUA e para a Holanda além de Cingapura e Argentina.

Artigo escrito por : Iara Neme

Graduanda em Relações Internacionais e Comércio Exterior é produtora de conteúdo da página ComexLand, possui experiência de mercado na área comercial, de logística e importação.

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