Conheça um pouco mais sobre esse mega projeto do governo Chinês

História da Rota da Seda

Provavelmente você já deve ter ouvido falar sobre a antiga rota da seda e de sua importância no mundo antigo, tanto para a o comércio de produtos quanto para a troca de conhecimento entre a ocidente e oriente. Originalmente era formada por rotas comerciais estrategicamente localizadas que existiam há mais de dois mil anos e composta por uma enorme rede de postos comerciais e mercados, com o objetivo de facilitar a venda, armazenagem e distribuição de insumos entre a Ásia e Europa.

Essas rotas receberam o famoso nome “Rota da Seda” somente durante o século XIX, devido ao tecido que teve por muito tempo somente a China como produtor, que esforçava-se muito para proteger o segredo da produção, e consequentemente podiam vender a seda por preços altíssimos, principalmente aos romanos que a consideravam um artigo exótico e tinham muito interesse na compra.

Porém, uma infinidade de outros itens eram negociados, como animais, peles e produtos têxteis, ouro, prata, predas preciosas, as famosas especiarias e também pólvora e armas.

Além da importância econômica e o transporte de bens, a Rota da Seda significou o desenvolvimento e o nascimento de grandes civilizações, como o Egito Antigo, a Mesopotâmia, a China, a Pérsia, a Índia e Roma, dando também início ao chamado “mundo moderno”.

O fim da Rota da Seda se deu pelo declínio do Império Mongol, no começo do século XIV, que dominava a região, dando lugar aos Otomanos que boicotaram o comércio entre Oriente e Ocidente. Sendo assim, os comerciantes precisavam de novas rotas ao Oriente para continuar atendendo a crescente demanda pelos produtos dessa região, o que deu início a era dos descobrimentos e das navegações pelos europeus.

Rota da seda do século XXI

Inicialmente chamada de “One Belt, One Road (OBOR)”, hoje é designada “Belt and Road Initiative (BRI)”. O projeto chinês que foi apresentado em 2013 pelo presidente Xi Jinping, propõem investir cerca de 1 trilhão de dólares para desenvolver novas rotas comerciais terrestres e marítimas ao redor do mundo. O foco inicial era na infraestrutura – estradas, portos, aeroportos, ferrovias, gasodutos e usinas de energia – e recentemente acabou englobando projetos educacionais, digitais e sociais incluindo regiões da Ásia, Europa, África.

O Fórum Internacional sobre a nova Rota da Seda conta com dezenas de Chefes de Estado dos três continentes e de líderes de organizações multilaterais importantes, como a Organização das Nações Unidas (ONU), o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Desafios rota da seda

Dívidas

Desde o anúncio do projeto o governo chinês tem concedido centenas de milhões de dólares em subsídios e empréstimos para diversos países por onde a rota passará e por isso muitos afirmam que essa é uma estratégia para expandir a influência do gigante asiático através da “diplomacia de ajuda”, pois muitos dos países que fizeram esses empréstimos agora afirmam que não tem condições de quitar a dívida.

Pandemia

Com a paralização de diversos setores industriais durante a pandemia da COVID-19, diversos projetos foram adiados por tempo indeterminado, deixando mais dúvidas ainda sobre quando e se um dia essa Rota ser finalizada.

Brasil e América Latina

Durante a visita do primeiro ministro Li Keqiang ao Brasil em 2015, o governo chinês se mostrou interessado em participar na licitação para a construção de uma grande ferrovia ligando o Brasil e o Peru, o que podemos considerar um exemplo de projeto da BRI na América do Sul.

Apesar do BRI não envolver diretamente a América do Sul, cerca de vinte países latino americanos enviaram representantes ao fórum em 2017, porém o Brasil não esteve presente, mesmo com a China sendo seu maior parceiro comercial. 

Caso o projeto seja concluído, haverá uma grande mudança nas relações geoeconômicas, geopolíticas e logísticas a nível mundial, entretanto com os custos e atrasos, aumentam as incertezas sobre a conclusão do projeto.

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