Será que você já foi “cancelado” pelo seu cliente?

Toda vez que um embarque está em andamento, inúmeras dúvidas surgem para o importador. Que horas o voo chega? Em quanto tempo geralmente o mantra estará desconsolidado? Mas eu posso embarcar carga DG no mesmo house sem pagar taxa extra para a carga toda? Será que embarcando pela rota x não seria mais vantajoso? Eu quero entrepostar minha carga , qual tratamento devo usar?

No entanto, quando os questionamentos surgem, muito se escuta “isso é trabalho do despachante, não do agente” ou “eu já disse que não temos opções”. Será que foi isso que foi vendido pelo time comercial?

A realidade de uma operação pode ser muito diferente do mundo de promessas vendido na etapa anterior. Entretanto, para escapar deste cenário, existe uma forma rápida: responda à pergunta “ o que sua empresa realmente vende”?

Pode parecer uma pergunta simples, mas como você a responderia com menos de 5 palavras? Se você respondeu qualquer coisa que pode ser materializada, como “fretes internacionais”, “preço competitivo”, “tecnologias inovadoras para a operação”, quer dizer que todas elas podem também ser substituídas. Em um mundo que existe internet, não se vendem só serviços ou produtos, vendem-se experiências.

Olhemos as perguntas do início desse texto. Todas podem parecer comuns para a maioria que trabalha na área, mas, acreditem, nem todos os importadores e exportadores sabem as respostas. E é nessa hora que os prestadores de serviço vendem algo inestimável: o conhecimento.

Toda vez que uma dúvida surge e é respondida com uma boa explicação, espera-se que a pessoa aprenda. E toda vez que alguém aprende algo, significa que na próxima vez ele poderá tomar uma decisão mais acertada e pautada em argumentos. Ou seja, você está vendendo um mundo melhor. Não parece um ótimo começo para convencer alguém a fechar com a sua empresa?

Pode soar utópico, mas vamos olhar o cenário da rede de stories ao lado. Não existe mais uma figura pública que possa viver sem ser julgada. Contudo, reparem nos motivos dos julgamentos. Eles acontecem quando o público em geral acredita que a pessoa em questão está fazendo algo divergente da ideia de imagem que ela vende. E é nesse momento que acontece o famoso cancelamento. Consumidores param de comprar produtos da marca a qual o artista faz publicidade. O número de seguidores despenca. As músicas não são mais botões no replay.

“Ok, mas o que isso tem a ver com comércio exterior”?

Tudo. Todo o posicionamento das redes sociais nos mostra como a sociedade enxerga as marcas, serviços e produtos e qual rumo estamos escolhendo seguir como um coletivo. De forma prática, não existe mais espaço para um discurso que não condiz com a prática. Se a sua empresa é daquelas que responde com as frases acima, pode ligar seu alerta vermelho. Você pode ser cancelado por prometer algo que não é real.

Dessa forma, o que fazer e como se posicionar em mundo de “experiências” para não ser oficialmente cancelado?

Veja o movimento do todo. Não encare sua empresa como uma entidade isolada. Todas as discussões que não parecem tão pertinentes para você, podem agregar e muito a forma como o seu trabalho será visto. Sua empresa também faz parte da sociedade, pois empresas são feitas de pessoas. Exercite a aproximação com as questões do momento ao invés do distanciamento pelo medo do desconhecido.

Vamos à um exemplo prático. Sua companhia se preocupa com o meio ambiente? Quais movimentos ela tem feito para diminuir o impacto ambiental dentro do mundo de negócios em que está inserida?

Quem escolhe agentes de carga não são importadores. São pessoas que trabalham para empresas importadoras. Pessoas essas que se importam com todas as questões que passam na sua timeline e que você pode nem estar notando. Atualize-se, busque investir no movimento que você acredita. Se sua companhia vende aquilo que pratica, não haverá cancelamento que impedirá seu sucesso.

Artigo escrito por Julia Caetano

Julia Caetano é formada em Relações Internacionais pela ESPM Rio e cursa pós-graduação em Gestão de Projetos. Amante do mercado externo, trabalha na área há 4 anos, além de ser produtora de conteúdo para a ComexLand, acredita que todo conhecimento deve ser partilhado.

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