Escassez de contêineres e a alta do frete marítimo internacional

O Comércio Exterior vem enfrentando diversos desafios para cumprir com os prazos de entrega, manter um valor acessível nos fretes e ter contêineres disponíveis para os carregamentos. Esses problemas, dentre outros fatores, são também reflexo da pandemia de Covid-19 que vem se arrastando há meses e recentemente piorou com o total desequilíbrio entre a oferta e a demanda de contêineres que elevou o valor do frete.

Valor do frete

Importadores e exportadores já sentiram o impacto da alta do frete há algum tempo, visto que o valor vem crescendo exponencialmente nos últimos anos. Segundo a Drewry Shipping, empresa britânica de consultoria em transporte marítimo, o valor do frete acumula alta superior a 500% nos últimos 5 anos. O transporte de um container de aço de 40 pés do porto de Xangai na China até o Porto de Roterdã está custando o valor recorde de US$10.522, e como mais de 80% do comércio exterior é transportado via navios, esse valor já está fazendo diferença no bolso do consumidor final também, pois os varejistas já estão repassando o valor do frete para as mercadorias evitando a diminuição da margem de lucro.

Em janeiro, o frete da China para o porto de Santos (SP) bateu recorde histórico, chegando a US$9.000 por contêiner de 40 pés.

Quando o valor do frete é tão alto a ponto de influenciar no preço final do produto, o comércio internacional começa a perder forças e a competitividade diminui, visto que muitos exportadores não conseguem mais embarcar seus produtos e os que até então importavam, desistem de recorrer ao mercado externo pois a mercadoria chegará a um valor muito acima do aceitável internamente.

Utilização de container NOR

Uma das alternativas que os armadores utilizam para driblar a escassez de contêineres é a oferta de operações NOR (Non-Operating Reefer), ou seja, reefer fora de operação, com o motor desligado. Muitos contêineres são embarcados com mercadorias refrigeradas, mas no frete retorno não há nenhum tipo de mercadoria que necessite de um ambiente resfriado, então, o espaço do container reefer é utilizado para qualquer outro tipo de produto.

Por ser um grande fornecedor de mercadorias refrigeradas, como carnes em geral, os importadores brasileiros recorrem bastante a esse tipo de operação, pois não são produtos em que o Brasil importa em grande quantidade, no entanto, sobram espaços em contêineres refrigerados que na maioria das vezes voltam desligados para o Brasil carregando cargas no geral.

Agroexportação

Um dos setores mais rentáveis da economia brasileira, a exportação de produtos agropecuários, também já sentiu o impacto da alta do frete e da escassez de contêineres.

Exportadores de produtos avícolas do sul do Brasil, por exemplo, estão embarcando apenas 40% do que era exportado no cenário pré pandemia. Os custos com estocagem aumentam, alguns produtos passam do prazo de validade aguardando o embarque, armadores mudam a rota sem aviso prévio e a negociação com os compradores internacionais vai tornando-se mais complicada.

Produtores de arroz também sentiram esse impacto negativo com a diminuição das exportações em 41% e o aumento das importações em 60% no primeiro semestre desse ano. No mês de junho, 15 mil toneladas de arroz deixaram de ser exportadas pela diminuição da oferta do frete marítimo, cujos principais destinos esse ano foram o Peru, Holanda e Senegal.

Artigo escrito por : Iara Neme

Graduanda em Relações Internacionais e Comércio Exterior é produtora de conteúdo da página ComexLand, possui experiência de mercado na área comercial, de logística e importação.

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