Nessa série de artigos informativos, abordaremos o meio de pagamento via Remessa Direta, amplamente utilizado entre empresas, sejam elas do mesmo grupo, de grupos diferentes, transações entre parceiros e entre diversos clientes. 

Pagamentos Internacionais é um assunto de grande discussão, porque trata-se da concretização financeira do acordo comercial. Existem basicamente 4 termos de pagamento internacionais: Carta de Crédito, Remessa Direta, Cobrança Documentária & Pagamento Antecipado. 

Embora haja circunstâncias especiais para a escolha de cada um deles, todas as condições de pagamento possuem vantagens e desvantagens. O êxito do comércio internacional está associado na prévia definição & negociação do meio de pagamento. É nesse momento que a empresa poderá considerar a entrada de receita futura no balanço financeiro. 

No mês passado a Veridiana Mayer escreveu sobre a CARTA DE CRÉDITO, como meio de pagamento, usado em diversos países, onde a palavra-chave é SEGURANÇA do recebimento pela ótica do exportador, devido a garantia realizada pelo banco mediador. Se você ainda não conhece sobre o assunto, mas possui interesse nesse conteúdo, no final desse artigo há o link para a leitura. 

REMESSA DIRETA (REMESSA SEM SAQUE)

A Remessa Direta é uma das modalidades de pagamentos utilizadas no mercado internacional que reduz os termos “burocráticos” e possui baixos custos envolvidos na operação comercial. O termo remessa sem saque, seria outra forma de expressa, porém essa designação é cada vez menos visto. 

Nessa categoria o exportador envia os documentos (originais e cópias), após o embarque da mercadoria, diretamente ao importador, sem qualquer tipo de pagamento ou de garantias legais. Existem diversos artigos e livros que relatam que essa modalidade não é recomendável porque representa um alto risco para o exportador. 

O fato de haver risco não significa que exista ausência de mecanismos que possam auxiliar à tomada de decisão na modalidade de pagamento/recebimento. Além disso, é importante ressaltar que toda a operação internacional oferece risco, seja financeiro ou administrativo, entretanto, possuir parceiros que possam assessorar em coberturas de riscos permitirá uma melhor concretização da negociação. 

Embora essa operação seja destinada a empresas experimentadas em negociações internacionais, é possível que novos entrantes optem em seguir nessa modalidade. 

Por que essa modalidade de pagamento, a qual não tem qualquer garantia, ainda é utilizada no mercado internacional? 

O fato é que importadores/exportadores buscam cada vez mais a construção de parcerias duradouras, diminuição de custos financeiros (isenção ou redução de despesas bancárias) e agilidade na tramitação de documentos, além do aprofundamento das relações comerciais, principalmente em determinadas regiões, com o intuito de aumento de negócios e consolidação de parcerias estratégicas, portanto, a confiança será o fator preponderante nessa modalidade. 

A negociação sem necessidade de instituições financeiras, fundos ou empresas garantidoras, otimizam o fechamento e a concretização dos negócios. Além de dar a possibilidade da negociação do prazo de pagamento diretamente entre o importador e o exportador, revisão de preços em detrimento da necessidade do prazo de pagamento frente à emissão do conhecimento de embarque, desburocratizando e simplificando os acordos. 

Vale ressaltar que não há uma sugestão ou obrigação de prazo mínimo ou máximo. O relacionamento e as circunstâncias entre as partes é que determinarão o que deverá ser definido. Por exemplo, no mercado de alimentos (ingredientes) a média do prazo de pagamento permeia em torno de 30 dias após o recebimento do conhecimento de embarque.
A seguir apresento um flowchart do processo de clean collection/open account:

  1. Negociação realizada via Remessa Direta;
  2. Importador enviará a fatura comercial com os dados pertinentes;
  3. Exportador revisa os dados e providencia o embarque da mercadoria;
  4. Exportador envia os documentos via courrier e e-mail para o importador;
  5. Importador no recebimento da carga, nacionaliza a mercadoria; 
  6. Após o prazo acordado, o importador providencia via banco o pagamento do produto; 
  7. Exportador considerando a data de recebimento, revisa a realização do pagamento;
  8. Exportador realiza uma operação de câmbio para o recebimento de moeda local. 

DICAS:

Quando a opção via Remessa Direta estiver sendo negociada, revise primeiramente a saúde financeira da empresa importadora/exportadora através da solicitação de relatórios financeiros e da respeitabilidade no cumprimento das datas de pagamentos de outras negociações previamente realizadas.  Além disso, ampare-se com empresas internacionais especialistas no assessoramento de inadimplências e coberturas de risco.

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Artigo escrito por Othon Feliciano

Othon é Especialista em Vendas no mercado interno/externo, formando em Relações Internacionais e com extensão em Estratégia & Marketing pela University of La Verne. Atua como Key Account na Industria de alimentos.

Links úteis:

https://www.comexland.com/post/voce-sabe-o-que-e-e-como-usar-o-termo-de-pagamento-carta-de-credito

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