A Liga Árabe reúne quase meio bilhão de habitantes, e juntos caso fossem um só país, seria o 3º maior em população mundial, ficando atrás da China e Índia, apenas. O bloco, no entanto, é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, perdendo para China e Estados Unidos. No ano passado (2019), os árabes importaram US$12,2 bilhões em mercadorias brasileiras.

Segundo dados divulgados pelo Departamento de Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, as exportações brasileiras nos sete primeiros meses desse ano foram 16,9% superiores ao mesmo período de 2019, registrando total de US$7,1 bilhões. Os embarques de carne de frango, açúcar, minério de ferro, carne bovina e milho foram responsáveis por 70% das exportações para esses 22 países que compreendem o Norte da África e o Oriente Médio, são eles: Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Catar, Djibuti, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Ilhas Comores, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Omã, Palestina, Síria, Somália, Sudão e Tunísia.


Imagem: símbolo da Liga Árabe e todos os países-membros.

Numa entrevista concedida recentemente, o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira mostrou o potencial que temos para alavancar essas exportações e estreitar a parceria com os árabes. Segundo ele, em quatro anos há espaço para chegarmos à marca de US$20 bilhões anuais através da intensificação de ações de marketing e logística, além da inclusão de novos produtos na nossa pauta de exportação.

Outro dado interessante recentemente divulgado, é a questão dos árabes que vivem no Brasil. A estimativa é de 12 milhões, sendo 27% libaneses e 13% sírios.

HALAL

Para exportar para esses países, entretanto, é necessária a Certificação Halal, que em árabe significa lícito. Há instituições que realizam uma auditoria nas instalações do fabricante a fim de certificar que não há ingredientes proibidos na produção como o álcool ou produto de origem suína.

Além dos ingredientes, há também critérios que devem ser cumpridos rigorosamente no momento do abate dos animais. Os islâmicos, por exemplo, só comem frango ou carne bovina se o animal tiver sido degolado com o corpo voltado para à direção da cidade sagrada, Meca. Esse abate é feito por alguém da própria certificadora, não da empresa exportadora, pois eles são treinados para que o animal não sofra durante a morte e há uma oração feita no momento.

As exigências desses países estão cada vez mais altas quanto à essa certificação. Atualmente, não basta o produto conter o selo, mas toda a cadeia desde a matéria-prima até a parte de transporte e armazenamento devem ser certificadas, incluindo assim as empresas que prestam serviços para os fabricantes.

A expectativa da Africa Economic Foundation e Dinar Standard é que até 2024 o mercado Halal fature no mundo todo cerca de US$3,2 trilhões.

IMPORTAÇÕES E EXPORTAÇÕES

Dentre todos os países árabes, os 3 principais destinos das exportações brasileiras em 2020 foram: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito.

Em todos eles, as relações foram superavitárias para o Brasil, ou seja, exportamos mais do que importamos durante esse ano.

O principal produto brasileiro foi a carne, tanto de frango para os dois primeiros países quanto bovina para o Egito. Nesses oito primeiros meses do ano, a receita em exportações para eles foi de US$3,5 bilhões. Apesar do alto valor, no ano passado as exportações de carnes para esses países foram em média 23% superior.

No top 3 das importações, a Arábia Saudita liderou novamente, seguida por Marrocos e pela Argélia. Dentre eles, apenas em Marrocos o Brasil apresentou déficit na balança comercial, foram US$666 milhões em importações e apenas US$375 em exportações.

Dos US$1,014 bilhão em produtos da Arábia importados pelo Brasil esse ano, US$686 milhões (ou 68%) foram de óleos brutos de petróleo, valor 35% inferior que do mesmo período no ano passado. Já de Marrocos, o principal produto importado foram os adubos e fertilizantes, valor superior em 29% em relação a 2019. Quanto aos produtos oriundos da Argélia, mais uma vez os óleos brutos de petróleo vieram em primeiro lugar, apesar da queda de 63%.

Em maio desse ano, a multinacional brasileira BRF deu mais um importante passo para se aproximar do mercado árabe, anunciando a compra de uma empresa processadora de alimentos na Arábia Saudita. O investimento visa produzir 18 mil toneladas de alimentos por ano. Atualmente, a empresa possui 5 fábricas e 11 centros de distribuição espalhados pelo Oriente Médio.

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Artigo escrito por : Iara Neme

Graduanda em Relações Internacionais e Comércio Exterior é produtora de conteúdo da página ComexLand, possui experiência de mercado na área comercial, de logística e importação.

6 comentários em “BRASIL E O MERCADO ÁRABE”

  1. Excelente matéria.
    Uma pergunta. Há espaço para pequenas e médias empresas brasileiras do metal-mecanico, refratarios ?
    Entendo que a grande penetração de empresas brasileiras de porte maior.
    Existem siderúrgicas na liga árabe ?

    1. Olá Marco Antônio, obrigado por comentar!
      Sim, há espaço para pequenas e médias empresas, mas para se internacionalizar, antes é importante fazer uma consultoria com especialistas que vão lhe direcionar no caminho certo.
      Com relação as siderúrgicas não existem, o Brasil como é um dos principais parceiros e exportadores de siderurgia para a liga Árabe.

  2. Pingback: O que é Ramadã e qual sua influência no Comércio Exterior? - UXComex

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