O AUMENTO NOS PREÇOS DOS ITENS DA CESTA BÁSICA.

Nos últimos dias, temos acompanhado a insatisfação dos brasileiros com o aumento dos preços dos alimentos, inclusive de itens básicos como o arroz, feijão, leite, óleo de soja e das carnes. As projeções quanto ao valor da inflação também vêm oscilando bastante, e os economistas estão mostrando que a alta dos alimentos deve influenciar na inflação que ficará acima da meta. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) já demonstrou, inclusive, preocupação com a possível crise no abastecimento das prateleiras.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o preço do arroz subiu 17,9% em agosto se comparado ao mês anterior, o valor chegou a superar um recorde histórico desde 2005, o preço do óleo de soja também teve alta equivalente à do arroz.

Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, que mede preços no Brasil) acumulou alta de 2,31% nos últimos 12 meses, os setores de alimentação e bebida subiu 7,61%. Os supermercados informaram que o valor da cesta básica já subiu 20% nesse período.

QUAIS PRODUTOS VÊM SE DESTACANDO NA PAUTA DE EXPORTAÇÃO?

No 1º semestre desse ano, vimos as exportações agrícolas atingirem um total de US$51,63 bilhões em receita, valor 9,7% superior ao mesmo período de 2019. A China foi o principal destino, sendo responsável por importar 40% desse montante, um aumento de 30%, puxado principalmente pelas carnes, que cresceram 114% e pela soja que avançou 30%, esses dois produtos foram responsáveis por 87% da receita de exportação do Brasil para a China. 

  • ARROZ

Nos 8 primeiros meses desse ano, o Brasil exportou mais de 1 milhão de toneladas de arroz (considerando com ou sem casca) sendo os principais destinos: Venezuela, Peru, Senegal, Costa Rica, Serra Leoa, Montenegro e África do Sul.

  • SOJA

Líder dentre todos os produtos já exportados esse ano, a soja representa 18,6% de todas as exportações brasileiras. De janeiro a agosto de 2020, mais de 75 milhões de toneladas foram destinadas ao exterior, alta de 33% em relação a 2019. Desse total, 73% foram para a China.

  • CARNE BOVINA

A carne bovina ocupa a 5ª colocação dentre os produtos mais exportados pelo Brasil esse ano, já foram 1,1 milhões de toneladas, volume 16% superior se compararmos aos 8 primeiros meses de 2019. A China, mais uma vez, é o principal destino com 53% das importações, um valor FOB de US$2,5 bilhões.

  • MILHO

O milho, entretanto, apesar de ser o 3º principal produto do ramo agropecuário exportado pelo Brasil, teve queda de 37,5% em relação a 2019. Em 2020, foram exportadas quase 14 milhões de toneladas para diversos países como Irã, Taiwan, Japão, Vietnã, Espanha, Egito e Coreia do Sul.

COMO A AGROEXPORTAÇÃO INTERFERE NA ALTA DOS PREÇOS?

A disparada nos preços dos itens acima pode ser explicada, dentre outros fatores, pelo desequilíbrio entre a exportação e a importação. Desde fevereiro, a balança comercial brasileira vem registrando superávits, ou seja, as exportações estão superando as importações, inclusive quebrando recordes históricos pelo grande volume exportado.

A alta demanda externa somada à desvalorização do real frente ao dólar, fez com que os produtores focassem nos clientes internacionais, ocasionando uma escassez no mercado nacional. Enquanto isso no mercado interno, o consumo das famílias aumentou desde meados de março com as medidas de isolamento, o auxílio emergencial concedido pelo Governo também ajudou no aumento da demanda por esses itens.

No final de agosto, a fim de combater a alta dos preços, visto que o valor do arroz, do milho e da soja atingiram recordes, o Governo anunciou que pode retirar as tarifas de importação desses produtos cujas alíquotas (para os países fora do Mercosul) são de 12% para o arroz e 8% para a soja e o milho, a decisão será tomada nesse mês de setembro. Se assim for feito, essa decisão vai impactar diretamente no bolso dos consumidores, que poderão voltar a comprar esses itens por um valor bem abaixo do que estamos vendo no momento.

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Artigo escrito por : Iara Neme

Graduanda em Relações Internacionais e Comércio Exterior é produtora de conteúdo da página ComexLand, possui experiência de mercado na área comercial, de logística e importação.

1 comentário em “AGROEXPORTAÇÃO E O MERCADO BRASILEIRO DE ALIMENTOS”

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