Rivais nos gramados e parceiros nas negociações: As relações comerciais entre Brasil e Argentina.

Para alguns historiadores, essa rivalidade envolvendo o Brasil e a Argentina vem desde o século XV, quando os colonizadores espanhóis e portugueses assinaram o Tratado de Tordesilhas, desde então muitos outros conflitos que envolvem até outros países sul-americanos reforçaram esse desentendimento. A famosa rixa “Brasil x Argentina” é muito lembrada no futebol: Pelé ou Maradona? As partidas entre as seleções brasileira e argentina são sempre um clássico onde as torcidas aproveitam para zombar o rival e impulsionar o time em campo.

Mas deixando de lado toda essa brincadeira (ou não), vamos mostrar um pouco sobre como os dois países se comportam no âmbito político e econômico. 

Além de serem membros e fundadores do Mercosul desde 1991 (junto ao Paraguai e ao Uruguai), um bloco tão importante para a ascensão econômica da região, Brasil e Argentina também já assinaram outros acordos de cooperação e desenvolvimento em diversos setores como o científico e militar. 

Em dezembro do ano passado, antes da explosão da pandemia da Covid-19 na América do Sul, num encontro da cúpula do Mercosul realizado no Rio Grande do Sul, Brasil e Argentina decidiram aumentar o número de voos semanais entre eles: a quantidade saltou de 133 para 170, sendo ilimitados o número de voos de cargas. Juntos, os dois países tem 16 companhias aéreas atuando para transporte de cargas e passageiros.

Ainda em 2019, no mês de setembro, foi assinado o Acordo Automotivo que prevê o livre comércio de automóveis e peças para veículos entre os dois países a partir de 2029. Esse acordo levará todo esse tempo para ser firmado pois está sendo feito de forma gradual, também chamado de “sistema flex”. Até junho de 2020, a cada US$1,5 de qualquer produto do setor exportado pelo Brasil, tínhamos que importar US$1 da Argentina. Esse valor aumentará gradativamente até alcançar US$3 em junho de 2029, ou seja, as exportações poderão exceder as importações em até 3 vezes para a partir de julho vigorar o livre comércio.

Esse acordo mostra a importância da indústria automotiva para as relações entre o Brasil e a Argentina, visto que no ano passado 28% das exportações brasileiras para o país vizinho foram de veículos automóveis de passageiros e suas partes e acessórios, um valor FOB de US$2,74 bilhões. Na ótica dos produtos argentinos importados pelo Brasil, o montante foi de US$4,33 bilhões ou 42% em automóveis para transporte de mercadorias e usos especiais, automóveis de passageiros e algumas partes e acessórios para veículos. No total das exportações e importações de 2019, a relação foi deficitária para o Brasil em quase US$800 milhões.

Assim como o Brasil, a Argentina desempenha um importante papel na economia mundial como país agroexportador. E em abril desse ano, com a pandemia do coronavírus e o aumento da demanda da China, o país asiático ultrapassou o Brasil pela primeira vez como o principal destino das exportações argentinas, com destaque para os embarques de soja e da carne bovina.

Como ainda estamos passando pela crise, é difícil prever da mesma forma que antes números exatos. Mas com a estagnação econômica que a Argentina já vinha enfrentando até mesmo antes da pandemia, mais o avanço no número de desempregados, a redução do poder de compra e a queda do PIB, o mercado de automóveis que está enfraquecido, pode sofrer ainda mais. Desde janeiro de 2020, o principal produto brasileiro exportado para a Argentina, veículo de passageiros, já sofreu queda de 52% em relação ao mesmo período de 2019, um valor de US$703 milhões a menos. Da mesma forma nas importações de veículos para transporte de mercadorias com origem argentina, houve queda de 51% nos 7 primeiros meses desse ano. O produto argentino que mais se destacou nas nossas importações de 2020 até o momento foi o trigo.

Contudo, esperamos que as economias possam se recuperar o quanto antes e que possamos criar estratégias de cooperação, inclusive dentro do bloco econômico, para benefício mútuo e que a rivalidade com os “hermanos” continue apenas dentro dos gramados.

Não se esqueça de compartilhar com mais profissionais!

Nos siga em nossas redes sociais!

Artigo escrito por : Iara Neme

Graduanda em Relações Internacionais e Comércio Exterior é produtora de conteúdo da página ComexLand, possui experiência de mercado na área comercial, de logística e importação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *