Quando o mundo enfrenta uma pandemia na proporção que temos enfrentado, cada setor sente a mudança em intensidades diferentes, quando é natural que certos mercados cresçam enquanto outros sintam a crise de um jeito negativo. Vejamos as consequências que o mundo já está enfrentando: segundo o FMI – Fundo Monetário Internacional, a economia global deverá encolher 3,0% em 2020, a pior recessão desde a Grande Depressão de 1930.

A China, país onde se originou a doença, já sofreu queda de 6,8% em seu PIB – Produto Interno Bruto, no primeiro trimestre em relação ao primeiro trimestre de 2019, segundo o NBS chinês – Escritório Nacional de Estatísticas. O PIB brasileiro, segundo a CEPAL – Comissão Econômica para América Latina e o Caribe, poderá sofrer queda em 2020 de até 9,2%.

A logística também está sendo comprometida pela pandemia. O setor de eletrônicos sofreu queda em sua produção devido às dificuldades no recebimento de mercadoria vinda da China: Samsung, Motorola e outras chinesas interromperam a fabricação de produtos no Brasil, pela inviabilidade de enviar componentes internacionais. 

Um mesmo setor pode, no entanto, sofrer com a crise em um segmento e sentir o crescimento de negócios em outros, simultaneamente. A logística, por exemplo, sofreu com a queda das importações devido à queda de produção e, logo, de importação, de fábricas automotivas e eletrônicas, mas percebeu uma alta demanda em segmentos específicos, como alimentício e de medicamentos, causando aumento no volume dessas operações.

O porto de Paranaguá recebeu o maior navio graneleiro já atracado até então, carregando o recorde de 103 mil toneladas de farelo de soja, especialmente para a China, que precisará repor seus estoques enquanto sua atividade industrial é retomada após a crise do coronavírus. O Brasil é o maior exportador global de soja e está transportando uma safra recorde para os portos do mundo.

O Estadão publicou, em Março desse ano, uma reportagem sobre a importância da logística no momento que vivemos:

Em uma situação de crise extrema como a que o mundo vivencia com o COVID-19, o papel fundamental da logística se torna ainda mais evidente. A logística, como as artérias que transportam o oxigênio pelo corpo, permite à sociedade continuar minimamente funcionando sem entrar em colapso total, já que é responsável pelo fluxo de mercadorias entre produtores e fabricantes até o consumidor final.
Em recentes situações extremas como o furacão Katrina ou o tsunami na Ásia, a logística foi o ponto central para manutenção das condições mínimas de funcionamento das áreas atingidas, evitando a instalação de um ambiente de caos completo pela falta de alimentos e medicamentos.

A logística precisou ser capaz de manter as operações em funcionamento e enfrenta questões como a restrição de voos e atracação de navios, bloqueios de estradas, diminuição de atendimento alfandegário, controles sanitários rigorosos, e, principalmente, falta de produtos essenciais que precisam ser entregues com urgência para manter hospitais atendendo a população de forma adequada.

Com os desafios científicos e industriais da descoberta da vacina contra a COVID-19, haverão novos  obstáculos: a armazenagem e distribuição. Há variáveis como quantas empresas vão produzir, em qual escala e em quais plantas. Também haverá o debate se deverão ser transportadas a baixíssimas temperaturas, como 25º C negativos, já que em casos da vacinas já existentes para outras doenças “estudos apontam que em algumas regiões do mundo até 50% das vacinas se perdem por falta de armazenamento ou dificuldades de transporte”, afirma Maurício Lima, do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos).

O governo brasileiro acredita que ainda esteja cedo para falar sobre o assunto, além de o Ministério da Saúde informar, por meio de sua assessoria, que o Brasil tem tradição em distribuir 19 tipos de vacinas diferentes pelo SUS, e que esse conhecimento será utilizado no caso do imunizante que deverá existir contra a Covid-19.

Deixamos aqui nosso agradecimento a todos os responsáveis pela logística nacional e internacional, que nos trouxeram um pouco de normalidade e vida nos últimos meses e lembramos que voltaremos a falar da distribuição da esperada vacina contra o COVID-19 em outros artigos!

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Artigo escrito por Veridiana Giffhorn Mayer

Veridiana tem mais de 8 anos de experiência em comércio exterior, é formada em Relações Internacionais e pós graduada em Negócios Internacionais. Trabalhou em diversos segmentos de exportação e escreve para a ComexLand sobre Comércio Exterior e Relações Internacionais.

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