O Líbano, país com população de quase 7 milhões habitantes (segundo dados do Banco Mundial divulgados em 2018), já teve uma das melhores economias do Oriente Médio. Porém, com a guerra civil que durou de 1975 a 1990 e todos os problemas por ela acarretados, a situação piorou drasticamente: a produção nacional chegou a ser cortada pela metade e eles recorreram à empréstimos bilionários de países europeus que ajudaram nessa reconstrução. Porém, os conflitos recorrentes na região, impedem o país de retomar seu status.

Com as explosões do dia 04 de agosto que atingiram a capital libanesa, Beirute, deixando dezenas de mortos, milhares de feridos e vários desabrigados, o Líbano se vê diante de um agravamento da crise que já era muito preocupante em seu território.

Desde outubro do ano passado, o país vem sendo alvo de protestos, a população local ataca a elite que se perpetua no poder há quase 30 anos, acusando-os de ter saqueado os cofres do Estado e afundado o país numa recessão. A onda de protestos que se fez presente até mesmo durante o período de quarentena se intensificou após algumas propostas do governo relacionadas ao aumento na taxação de alguns produtos como o cigarro e a gasolina, mas o estopim foi a proposta do governo de taxar as chamadas de voz por Whatsapp, levando milhares de manifestantes às ruas, fazendo com que o governo desse um passo atrás e desistisse de implantar essa medida.

Nessa crise, a moeda local (libra libanesa) sofreu uma desvalorização de quase 80%, acarretando numa hiperinflação e gerando complicações no abastecimento dos produtos. Além disso, a dívida pública chegou a representar 150% do PIB libanês, o que corresponde a quase 370 bilhões de reais e estima-se que 45% da população está vivendo abaixo da linha da pobreza. Até mesmo a energia elétrica está limitada no país que não consegue suprir toda a demanda, estando disponível muitas vezes apenas de 2 a 3 horas por dia.

RELAÇÕES POLÍTICAS E COMERCIAIS LÍBANO-BRASILEIRAS

As relações oficiais com o Brasil são quase centenárias, em 1930 foi estabelecido o primeiro Consulado brasileiro na capital Beirute, em seguida, em 1954, a instalação da Embaixada e do escritório de Serviço de Promoção estreitaram as relações e levou à assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação.

Mas antes disso, em 1880, iniciou-se oficialmente a imigração libanesa para o Brasil, um navio que partiu do porto de Beirute trouxe imigrantes para vários estados brasileiros. Motivada pelas forças político-religiosas e econômicas, muitos cristãos fugiam do domínio muçulmano do Império Otomano. Dados de 2017 mostram que havia cerca de 12 milhões de libaneses vivendo no Brasil e 12 mil brasileiros residentes no país árabe.

No ano passado, o presidente da Associação de Comércio de São Paulo (ACSP) se reuniu com o ministro do Comércio Exterior do Líbano para discutir um acordo de livre comércio entre eles. O Brasil também busca um equilíbrio na balança comercial com o país, visto que as exportações brasileiras superam US$200 milhões por ano enquanto as importações de produtos libaneses movimentam menos de US$30 milhões.

O Líbano é bastante dependente de importações, tendo sua balança comercial quase sempre deficitária onde as importações superam as exportações com disparidade. Os produtos que se destacam na pauta de exportações libanesas são principalmente a azeitona, o vinho, azeite, castanhas, geleias, enlatados e condimentos. 

No ano passado, dos US$240 milhões em produtos brasileiros importados pelo Líbano, os maiores destaques foram para a carne bovina, animais vivos, café, milho, carnes de aves e tabaco. Já nas importações brasileiras de produtos oriundos do Líbano, o montante de apenas US$9,72 milhões no ano de 2019 foram principalmente para adubos e fertilizantes químicos (77%) e demais produtos das indústrias químicas, bem como algumas frutas e bebidas alcoólicas em menor proporção. Esse ano, o Líbano ganhou destaque na exportação de equipamentos para distribuição de energia elétrica para o Brasil, de janeiro a junho o valor FOB foi de US$844 mil, quase 50% do total das exportações.

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Artigo escrito por : Iara Neme

Graduanda em Relações Internacionais e Comércio Exterior é produtora de conteúdo da página ComexLand, possui experiência de mercado na área comercial, de logística e importação.

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