
Quando se pensa em crises econômicas brasileiras, o período que antecede o Plano Real é sempre lembrado por economistas e até mesmo pela população que sofreu períodos conturbados de hiperinflação nessa época que chegou a alcançar o patamar de 2700% em 1993. A atualização diária dos preços dos produtos, o desabastecimento nas prateleiras e a onda de desemprego foram fatos marcantes na época.
Além do Plano Real, instituído no Governo Itamar Franco, quando seu sucessor Fernando Henrique Cardoso era o Ministro da Fazenda, houve outras tentativas de recuperação econômica nos governos anteriores como no período presidencial de José Sarney (1985-1990) e Fernando Collor de Mello (1990 – 1992) que tentaram congelar os preços e salários para conter a inflação, medida sem sucesso. Houve também o Plano Bresser e o Plano Verão, que além do congelamento de preços também tentaram controlar a inflação com o adiamento de obras públicas e a criação de uma nova moeda, o Cruzado Novo em 1989.
Oficializada em 1º de julho de 1994, o Real tornou-se a 10ª moeda oficial do país, criada com o objetivo de instaurar uma estabilidade na economia brasileira, iniciando assim uma nova era de desenvolvimento econômico.
Para evitar os mesmos erros cometidos por governos anteriores nas tentativas falhas de controlar a inflação, a implementação do Real foi dividida em três fases começando pela primeira fase que englobou o ajuste das contas públicas através da redução orçamentária e a criação de uma nova moeda, o cruzeiro real. Essa implementação foi quarta mudança na moeda brasileira em um período de sete anos com o lançamento do cruzeiro real que eliminou os três zeros que compunham o número, assim, os Cr$1.000 (mil cruzeiros) passaram a ser equivalentes a CR$1 (um cruzeiro real).
Na segunda etapa, houve a implantação da Unidade Real de Valor (URV) que era atrelada ao câmbio ficando protegida da inflação, uma espécie de moeda de troca para converter o valor dos produtos. Essa URV valia 1 dólar e os preços dos produtos básicos eram expostos nesse valor, porém, o pagamento era realizado em cruzeiro real, a moeda vigente. Esse movimento foi muito importante para a dolarização da economia, fazendo com que o real, logo após sua implementação, fosse cotado a US$1 (um dólar).
Finalmente, em 1º de julho de 1994, a URV foi substituída pelo real e para manter a moeda valorizada perante ao dólar, o governo mantinha os juros altos. Porém, com a paridade real-dólar, a indústria nacional começou a sentir o impacto com a entrada de produtos importados a preços competitivos, obrigando-as a diminuírem os preços dos produtos para não perderem clientes, diminuindo assim a margem de lucro.
A partir daí, a inflação nacional nunca mais alcançou patamares tão absurdos, mantendo-se a níveis aceitáveis e sob olhar do Banco Central que cria metas para inflação e que em 1999 criou a taxa básica de juros da economia, conhecida como Selic.
Recentemente, o Banco Central vem aumentando gradativamente essa taxa, que chegou no seu menor patamar no final do ano passado, 2%, mas em meados de 2021 já alcançou 4,25%. Esses ajustes na taxa de juros básica da economia refletem tanto no câmbio como nos preços.
Artigo escrito por : Iara Neme
Iara é graduada em Relações Internacionais e Comércio Exterior é produtora de conteúdo da página ComexLand, possui experiência de mercado na área comercial, de logística e importação.
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