O início da guerra do petróleo e o que isso tem a ver com o comércio exterior.

Além dos casos confirmados de coronavírus que abalam a bolsa brasileira e do mundo, a Arábia Saudita anunciou, no domingo (08), que cortou o valor de venda do barril do petróleo, gerando uma guerra comercial entre os produtores do commodity e aumentando ainda mais o dólar comercial frente ao real.

Nesse artigo você vai ler:

  • Como o petróleo envolve as relações internacionais entre países.
  • A influência do petróleo na bolsa de valores e moeda.
  • Tentativas de conter o dólar e bolsa de valores.
  • Relação do comércio exterior com a queda do petróleo.

Entenda a guerra do Petróleo

A Arábia Saudita é a maior exportadora de petróleo do mundo e faz parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), com mais 13 nações participantes. A OPEP nasceu em 1960 com o objetivo de coordenar as políticas de petróleo, assim possuindo forte influência nos preços globais de petróleo. 

Os países membros da OPEP tentaram por diversas vezes uma negociação com a Rússia, para redução da produção de petróleo, durante o coronavírus, para tentar equilibrar os valores e tentar amenizar a recessão econômica mundial. 

A Rússia não cedeu, e continuou normalmente sua produção, a consequência disso foi a maior queda de petróleo em 11 anos. Como forma de retaliação, a OPEP removeu todos os seus limites de bombeamento e a Arábia Saudita informou a redução de 4 a 6 dólares por barril para destino asiático e 7 dólares por barril para destino Estados Unidos.

A ação da Arábia Saudita causou a queda na bolsa de valores de diversos países, incluindo Brasil, que perdeu 10 pontos percentuais que fez com que a B3 (Bolsa Oficial brasileira) aplicasse uma técnica chamada de Circuit Breaker onde todas as operações ficam paralisadas por 30 minutos.

O comércio exterior brasileiro

Observamos que o coronavírus está gerando uma grande bola de neve em diferentes áreas, o surto começou na China e já afeta a cadeia produtiva de diversos países, gerando uma intensa desaceleração econômica a nível mundial. 

Com a queda do petróleo essa situação se intensificou, esse ano, o real já desvalorizou mais de 15% , após todas as ocorrências citadas acima, nesta segunda feira (09), o dólar novamente opera em alta. O Banco Central brasileiro (BACEN) tenta intervir no câmbio aumentando o Swap Cambial, que iria ser realizado, de 1 bilhão para 3 bilhões de dólares.

*Leia o artigo: Entenda como o governo pode conter o dólar e o que é Swap Cambial.

E ao contrário do que muitos pensam, no cenário atual, o dólar alto é prejudicial também para operações de exportação. A demanda internacional sofre queda, preços de commodities caem e empresas que dependem de importação de insumos para conclusão de sua produção são fortemente afetadas, pois não conseguem repassar os custos de importação para o mercado nacional e internacional.

A médio prazo, o aumento do dólar e queda do valor do petróleo representam menos investimentos externos que geram redução de crescimento no país, desemprego, queda na renda e redução da demanda.

Especialistas já informaram que é provável que o dólar não desvalorize tão cedo, por esse motivo no próximo artigo vamos abordar algumas estratégias para agentes de carga se protegerem ajudarem seus clientes neste período de instabilidade.

Artigo escrito por Kauana Benthien A. Pacheco

Kauana tem seis anos de experiência no comex, é formada em Negócios Internacionais e cursa pós graduação em Big Data & Market Intelligence. É criadora da página de conteúdo sobre comércio exterior, ComexLand, onde escreve sobre economia global e comércio internacional.

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